Nossa História

A Instrução – Início

Como todo bom daimista sabe, o caminho da verdade requer muita dedicação, resistência e fé para que as dificuldades sejam vencidas. As provas que nos cercam, nos desafiam a cada passo nessa jornada espiritual. Antes de olharmos a diante, quero contar pra vocês com muito alegria no coração, o quanto valeu a pena chegar até aqui e dividir este ensino: com amor tudo se transforma e tudo é capaz de acontecer. Conheci o Santo Daime através de meu Pai. Depois de muitas andanças pelas igrejas a fora, em um trabalho de São Miguel no ano de 2012, recebi um instrução espiritual que mudou para sempre minha trajetória com a Doutrina.

A mensagem dizia: você vai firmar um ponto Daimista na cidade de Americana. A princípio não compreendi como o faria. Sozinho, sem fardados e até mesmo sem local apropriado para iniciar os trabalhos, a missão se tornou quase impossível. Foi então que novamente a espiritualidade voltou a me orientar dizendo: procure pelo Ênio e peça orientação. Dali em diante percebi que todas portas para a Doutrina estavam abertas.

O primeiro passo foi dado. Procurei então pelo Ênio (Secretário Nacional da ICEFLU), que me encaminhou ao Mauro Farias (Tesoureiro da ICEFLU) – pessoa responsável pelo recebimento dos documentos e pelo registro da casa. Confiante na instrução recebida, finalmente a igreja estava registrada. Nascia ali a Casa de Cura Raimundo Irineu Serra.

Com o registro feito, recebi o primeiro abastecimento de Santo Daime da casa, fato que só confirmou o que as instruções me diziam. O caminho estava aberto.

Iniciei os trabalhos de maneira bastante modesta, nos fundos de casa, em um “quartinho”. A certeza no coração sempre me mostrou que eu estava no caminho certo. Assim, tive força e coragem para dirigir meu primeiro trabalho de Concentração, realizado dia 30 de setembro de 2012, sem fardados, música ou canto.

Caminhada dura essa. Eu sempre pedia e rogava a Deus por ajuda. E ele nunca me abandonou. Dessa forma, cruzei com pessoas importantes que somaram na minha história. Pessoas essas que considero peças chave, que afirmaram a presença divina sempre trabalhando ao meu favor.


A música

Aqui eu confesso a vocês que foi uma grande prova. Sem noção alguma de música, precisava dar um jeito de aprender a tocar pois os trabalhos estavam sendo feitos com CD. Vocês podem imaginar a dificuldade que foi. Resolvi procurar um professor. Foi então que conheci um ótimo e conceituado músico aqui da cidade, Márcio Lemos.

Márcio Lemos ao centro.

Logo na primeira aula, ele notou que eu não tinha sequer um pingo de talento, e me perguntou por que o interesse pela música. Contei a ele sobre o Santo Daime. Curioso, Márcio pesquisou sobre a Doutrina. Muito interessado e confiante, passou a frequentar os trabalhos. Ali ele pode ver realmente a minha dificuldade e pensou:

“Preciso ajudar esse cara. Ele jamais vai aprender a tocar sozinho”.

Foi então que Márcio se tornou meu companheiro e passou a tocar os hinos comigo nos trabalhos. Logo se aprofundou nos estudos e passou ensinar os atuais músicos da casa, Matheus e Thiago a tocarem.

Novamente tive a certeza de que a espiritualidade estava ao meu lado. Nesse momento, a música chegou e percebi que os caminhos estavam abertos para fazer a história acontecer. Com grande satisfação, deixo meu agradecimento ao excelente músico Márcio Lemos pela sua passagem em nossa casa, trazendo a música para nossos estudos se firmarem.

Os trabalhos foram aprimorando e o pequeno “quartinho” foi recebendo seus primeiros visitantes. Alguns curiosos com a Santa Bebida, alguns que iam e voltavam buscando ajuda, outros que nunca mais apareciam. Com poucos fardados, a “corrente” se tornou um desafio, pois era “puxado” dar conta de outras pessoas.


A alegria


Os trabalhos seguiram, e mesmo diante de todas as dificuldades que se apresentavam, me firmava sempre nas palavras do Mestre Irineu:

“…Que Deus não abandona, Quem ama com firmeza”.

 
Os irmãos Daniele Sousa e Juliano Sousa.

E foi assim que Deus me presenteou com dois irmãos muito especiais. Exatamente no dia 15 de agosto de 2013, Daniele e Juliano (apelidados carinhosamente hoje de Amados), chegaram na casa para ficar.

Apesar da busca por ajuda espiritual que levou Daniele a procurar o Santo Daime devido a dependência química de crack, os irmãos abriram uma nova etapa na casa. A alegria, a reciprocidade e as boas energias trazidas por eles trouxeram leveza após dias de luta.

Foi uma troca verdadeira. E até hoje seguimos aprendendo uns com os outros. Depois de algum tempo, os trabalhos no “quartinho” ficaram difíceis, pelo calor, som, vizinhos e espaço para receber os visitantes.

Em 30 de novembro de 2013, em uma concentração, decidi que não faria mais os trabalhos naquele local. Ali não era o fim, pelo contrário, a decisão deu início a um grande passo. No dia 10 de janeiro de 2014, comprei junto com minha irmã Alessandra, uma terra na cidade vizinha de Cosmópolis.

A missão começava a se expandir. A casa iria sair do seu casulo. Com muito custo, o terreno foi comprado. Praticamente sem dinheiro, o desafio era construir uma igreja naquele local.

Confesso a vocês que provei minha resistência nesse momento. Uma terra de solo seco e árido, sem sombra ou água potável, entre outros recursos, a minha missão tornou-se novamente quase impossível.


A Construção

Sempre com o Mestre em minha frente, estava determinado a erguer a igreja a todo custo. Nessa parte da história, Deus colocou uma outra peça chave no meu caminho. Em um dos trabalhos no “quartinho”, recebemos um visitante que nos procurou por conta de alcoolismo.

Era ele: Seu Zé Orlando. Recém chegado de uma clínica de recuperação, iniciou sua caminhada espiritual ali, comigo. Quando decidi não realizar mais trabalhos no quartinho, Zé foi o cara que me trouxe coragem. Como não tínhamos muitos recursos financeiros, ele muito conhecido na cidade, teve a brilhante ideia de sair pedindo materiais de construção pela vizinhança, de porta em porta, em demolições, entrando em contato com pessoas que podiam doar algo para ajudar na construção.

Assim, com uma doação ali e outra aqui, construímos a igreja. Zé Orlando foi o responsável por me ajudar a fazer a história sair do chão. Em 4 meses de construção, além das doações, ajudou na mão-de-obra desde a base até a cobertura. E quando finalizamos, Zé decidiu se fardar em um trabalho de São João daquele mesmo ano. Depois de um tempo Zé Orlando seguiu o seu caminho. Sua passagem foi essencial em um começo tão difícil. De coração, deixo aqui registrado minha tamanha gratidão por tudo que ele fez.

 
Sr. Miguel e a água.

Outro fato muito importante no início da construção foi a instalação da água. Meu pai, Seu Miguel, foi o responsável por trazer a água do rio até as torneiras no terreno, instalando bombas e fazendo o encanamento necessário. Também nos ajudou com seus conhecimentos em construção geral, como parte elétrica e com algumas manutenções gerais na igreja. Deixo aqui meu agradecimento ao meu Pai, por toda dedicação durante esse tempo que estamos aqui.






A floresta

A igreja estava subindo. Ainda em obras, perto de terminar o telhado, recebi um visitante que foi também uma das peças chave essa história. Olhando para a foto principal no site, vocês podem notar as árvores e o todo verde ao redor da Igreja. Mas até chegar aí, meus irmãos, que caminhada dura!

Desta forma, quero registrar aqui, a chegada do responsável pela vida em nossa terra. A chegada do Samir. Lá nos tempos do quartinho, ele entrou em contato diversas vezes dizendo que queria conhecer a casa, mas nunca apareceu. Naquele dia, lembro-me como se fosse hoje. Na tarde de um dia quente, uma moto parou e desceu um rapaz. Caminhar tranquilo, olhar sereno. Ofereceu um suco natural e se apresentou. Mesmo um tanto arisco, já chegou ajudando nas obras. Tivemos boas conversas sobre sua caminhada na doutrina. Me contou que já havia feito trabalhos xamânicos, que pregava também a filosofia Rastafari. Contei a ele um pouco sobre a casa e todo o processo até chegarmos na terra. Naquele mesmo dia, iniciamos uma grande amizade. Dali em diante, ele passou a vir com mais frequência ajudar nas obras. Foi ficando, se aproximando e junto dele, veio uma energia muito importante para o momento: a natureza. Em uma de suas visitas, quando decidimos plantar, ele trouxe cerca de 400 mudas de árvores nativas para iniciar o reflorestamento daquela área.

 
Samir o nosso jardineiro.

Ali foi onde a nossa floresta nasceu. A chegada do Samir foi marcada com sua boa vontade e determinação em dar vida em nossa terra. Um lugar seco e castigado pelo plantio de cana-de-açúcar, agora seria tomado por diversas mudas. Com muita sabedoria e harmonia, Samir utilizou os braços da irmandade para plantar. Dali em diante ele manteve a determinação de reflorestar a área.

Com o tempo, a irmandade se envolveu para garantir a chegada de mais mudas, fazendo contato com projetos da Prefeitura e viveiros em outras cidades. Com a união, o que era semente, agora germinava naquela terra. Regando muda por muda, estava implantado ali, o sistema Agrofloresta.

Sabendo da importância e da necessidade em termos o próprio material para preparar a Santa Bebida, ele começou o plantio de Rainha e Jagube pelo terreno, iniciando o nosso Reinado. Até hoje ele coordena a parte de plantios, cuidados com o Reinado, sempre zelando e compartilhando o seu conhecimento com a irmandade.Neste ano, Samir deu início a dois projetos na casa. Um deles é a nossa Horta Orgânica e o outro foi a implantação de irrigações automáticas em cerca de 80% do Reinado com a água do rio.

Com certeza a sua chegada foi registrada pela floresta. Deixo aqui registrado minha alegria e gratidão em nome de toda irmandade, por termos lindas árvores, frutos, pássaros e sombra para desfrutar.


A irmandade
 

 
Irmandade!

O primeiro trabalho foi realizado no dia 15 de maio de 2014. Desde então o rebanho de fardados foi só crescendo. Pessoas com pensamentos diferentes, culturas, jeito de ver a vida de outra forma se encaixam na casa e somam com nosso espaço. Cada irmão que chega na casa traz consigo uma força, um tipo de ensino e assim seguimos até hoje com os chamados para os mutirões que são constantes. As obras não param.

Depois da igreja, vieram as construções de novos banheiros, cozinha, casa de ferramentas, oca, além de todo o reinado para zelar. Seguimos firmes e com novos desafios e metas a serem cumpridas. A união da irmandade é minha motivação. Ver um grupo de jovens unidos, com força de vontade e determinação é algo que me traz uma grande alegria.

Deus me deu bons soldados. Desde suas origens, a Doutrina do Santo Daime incentivou entre seus seguidores o trabalho coletivo, que até hoje consolida um sistema de vida comunitário. Com 6 anos de aquisição da terra, as obras não param.

Em volta das “terras” da Igreja, os irmãos da casa compraram terrenos, dando origem a Comunidade São Irineu. A ideia é criar raízes e viver dentro do sistema deixado pela Doutrina. Ao chegar em nossa casa hoje, na porteira um breve filme passa em minha memória. Talvez de fora, vocês não consigam entender a grandeza dessa história. Mas se olharem de um simples ponto de vista, é fácil. A força de vontade, a fé e o amor são a chave para realizar um sonho. A pureza de Deus na singela união de duas plantas que são capazes de mudar para sempre uma história. Ressalto com verdade e alegria os fatos citados acima. A nossa Casa nasceu como semente plantada em meu coração, e com muito amor, lutei contra todas as dificuldades e fiz a história acontecer sem receber nenhum tipo de ajuda de Igreja maior (Igreja Madrinha). A Casa de Cura Raimundo Irineu Serra agradece por todo apoio institucional do ICEFLU, durante todos esses anos, fortalecendo nosso vínculo associativo. A conduta da casa segue os passos do patrono da Santa Doutrina, Mestre Raimundo Irineu Serra, que deixou a estrada aberta para quem quiser seguir. Não é por acaso que a casa leva seu nome. Aqui deixo minha gratidão à Deus pelas bênçãos recebidas nessa caminhada espiritual. Aos irmãos da casa pelo zelo e amor. Ao Padrinho Sebastião pela firmeza do pensamento e força para fazer a história continuar.

Max Almeida Dirigente e Fundador da Casa de Cura Raimundo Irineu Serrra

Um hino que minha mãe recebeu ofertado em meu nome:

À MEU PAI PEÇO FIRMEZA (Hino ofertado para Max em 2012)

À Meu Pai Peço Firmeza
À Minha Mãe Conforto E Amor
Aos Meus Irmãos Compreensão
Por Eu Chegar Aqui Onde Estou

No Caminho Eu Vou Na Frente
Com Estandarte No Meu Coração
Levando Está Doutrina
Junto Com Os Meus Irmãos

Esta Doutrina É Muito Linda
É Da Virgem Da Conceição
Foi O Mestre Que Recebeu
E Passou Para Os Seus Irmãos

Glorildes Almeida
A Meu Pai Peço Firmeza
Glorildes AlmeidaA Meu Pai Peço Firmeza
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